O cenário econômico para as famílias brasileiras em 2026 é marcado por um contraste entre o alívio na renda e a pressão do endividamento. Enquanto medidas governamentais tentam injetar fôlego no orçamento doméstico, o custo do crédito e a inflação ainda exigem cautela.
Aqui está o resumo do que se espera versus o que deve ser a realidade no dia a dia:
1. Renda e Poder de Compra
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Expectativa: Aumento real do poder de compra devido ao novo salário mínimo e isenção de impostos.
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Realidade: O salário mínimo subiu para R$ 1.621, e a nova tabela do Imposto de Renda (com isenção para quem ganha até R$ 5.000) começou a valer. Isso gera um “choque de renda” positivo. No entanto, a inflação projetada em 4,06% (Boletim Focus) e o aumento de custos em serviços e educação (material escolar com variações de até 280%) podem corroer parte desse ganho.
2. Mercado de Trabalho
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Expectativa: Manutenção do pleno emprego com aumento de salários.
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Realidade: O desemprego segue em níveis historicamente baixos (em torno de 6,4%), o que mantém o poder de barganha do trabalhador. Contudo, o ritmo de criação de novas vagas deve desacelerar, acompanhando o crescimento mais modesto do PIB (estimado em 1,8%).
3. Juros e Crédito
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Expectativa: Queda rápida dos juros para facilitar compras parceladas e empréstimos.
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Realidade: A Selic começou o ano no patamar elevado de 15%, com previsão de queda apenas gradual (terminando o ano em torno de 12,25%). Isso significa que o crédito para consumo (cartão de crédito e cheque especial) continuará muito caro, dificultando a aquisição de bens duráveis como carros e eletrodomésticos.
4. Endividamento e Inadimplência
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Expectativa: Famílias usando o fôlego extra do IR para limpar o nome.
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Realidade: Cerca de 80% das famílias iniciaram 2026 endividadas. A tendência é que o alívio tributário seja direcionado ao consumo imediato e pagamento de juros de dívidas antigas, em vez de uma quitação total. O endividamento médio compromete quase 50% da renda das famílias.
Resumo Comparativo: Expectativa vs. Realidade
| Indicador | Expectativa (Otimismo) | Realidade (Projeção 2026) |
| Crescimento (PIB) | Retomada forte | Crescimento moderado (1,8%) |
| Inflação (IPCA) | Sob controle total | 4,06% (com pressão em alimentos/serviços) |
| Taxa Selic | Juros de um dígito | Queda lenta (fechando em 12,25%) |
| Dólar | Real valorizado | Estável em torno de R$ 5,50 |
Como se preparar?
O ano de 2026 exige foco na gestão de dívidas. Com os juros ainda altos, evitar o rotativo do cartão é a regra de ouro. O ganho real vindo da isenção do Imposto de Renda deve ser visto como uma oportunidade para criar uma reserva de emergência ou quitar dívidas de juros altos.













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